Dizem que a inteligência se mede pela rapidez do raciocínio, pelo cálculo frio, pela vitória no jogo social. Mas há quem veja mais fundo. Há quem desconfie do brilho que deslumbra e prefira medir o espírito humano pelo silêncio com que trata o outro.
O idiota, dizia em tom de brincadeira um orador, pode estar em qualquer esquina: no trabalho, nos discursos fáceis, até no trono de um país. Difícil é reconhecê-lo, pois muitas vezes veste a máscara da esperteza. E, no entanto, há um sinal inconfundível: a crueldade.
Cruel é quem nunca atravessou a ponte que leva do instinto ao coração. Quem ainda se deixa reger pelo medo do diferente, pelo julgamento automático, herdado de um tempo em que sobreviver era desconfiar. O cruel é prisioneiro da caverna de Platão: vê sombras e teme a luz.
O bondoso, ao contrário, não é fraco. Ele é um criador de caminhos dentro da própria mente. Faz de sua alma um território fértil, onde a compaixão germina contra a aridez do instinto. É ele quem, diante da estranheza do outro, escolhe o exercício mais difícil: calar o medo, abrir espaço para a empatia, deixar nascer o entendimento.
Há quem se iluda com o poder da violência, acreditando que ela é escada. Mas a história repete a lição: quem sobe pela crueldade desce pelo peso da própria sombra. Só permanece de pé aquele que, com gentileza, construiu degraus firmes de humanidade.
Assim, se quiseres saber quem é o mais sábio na sala, não olhes para o mais eloquente nem para o mais forte. Busca aquele cujo olhar é o mais terno. Porque, em segredo, ele já venceu a primeira batalha de uma sociedade verdadeiramente avançada: a de transformar o animal em ser humano.
P.S.: Baseado no discurso, como orador de formatura da turma de 2023 da Northwestern University, do governador de Illinois, J. B. Pritzker, em fevereiro de 2025.

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