Enquanto a mãe não chega

“— Tô só esperando minha mãe pra pegar Aninha.”

A frase, dita num tom quase distraído, atravessou o ar da tarde como quem não quer dizer nada — mas dizia tudo. Era uma mãe falando da filha, e era também o mundo falando das mães.

Aninha é pequena, e no seu pequeno coração, o amor é inteiro. Ama a mãe com o corpo todo, com o riso, com as mãos que não param quietas, com o olhar que procura o rosto amado mesmo quando já sabe que ele não está por perto. A mãe, por sua vez, a ama com a urgência dos dias corridos, com o corpo cansado e o coração sempre meio apertado, entre o dever de trabalhar e o desejo de não se ausentar.

A avó entra nessa história como um elo antigo — o porto onde a vida ancora para que o futuro siga navegando. É ela quem acolhe, quem aquece o leite, quem penteia os cabelos de Aninha enquanto a mãe enfrenta a cidade. A avó é a guardiã da pausa, o tempo lento que resta.

E assim, o amor se desdobra: uma mãe que trabalha por amor, uma filha que aprende a esperar por amor, uma avó que sustenta o amor em silêncio.

A frase volta à mente, simples e imensa: “Tô só esperando minha mãe pra pegar Aninha.”

Esperar, pegar, cuidar — três verbos tão pequenos e tão sagrados. É neles que se revela a batalha cotidiana de milhares de mulheres, que constroem o mundo enquanto equilibram no peito a saudade dos filhos. É nelas que repousa a esperança do ser humano no futuro — esse mesmo futuro que Aninha, um dia, também vai querer cuidar com as próprias mãos.

Porque o amor, nascido assim, no meio da luta, se torna a mais pura forma de resistência.


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